NDHC publica artigo “Acolhimento: uma missão pastoral e cidadã”
O Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania da FUNDASP, coordenado por Fabio Mariano da Silva, se manifesta sobre documento divulgado em 5/5, pela Secretaria do Sínodo da Santa Sé.
O relatório do grupo de trabalho do Sínodo dos Bispos sobre “questões doutrinais, pastorais e éticas emergentes” inclui declarações de dois homens gays e defende a necessidade da Igreja Católica acolher as pessoas LGBTQIA+.
Leia a seguir a manifestação de Fabio Mariano:
Acolhimento: uma missão pastoral e cidadã
Num momento histórico marcado pelo crescimento da violência, da intolerância e da exclusão, a recente manifestação do Vaticano em defesa do acolhimento às pessoas LGBTQIA+ reafirma uma dimensão essencial da missão pastoral da Igreja: a centralidade da dignidade humana.
O legado de Papa Francisco, agora retomado por Papa Leão XIV, recoloca o cuidado, a escuta e o reconhecimento da diversidade humana no centro do debate contemporâneo. Mais do que uma discussão moral, trata-se de uma posição ética diante de um mundo atravessado por discursos de ódio, radicalizações e práticas crescentes de exclusão.
Ao criticar iniciativas associadas à chamada cura gay, o Vaticano reafirma que nenhuma pessoa pode ser reduzida à violência do julgamento, da humilhação ou do apagamento de sua existência. Aqui no Brasil, essa posição é reforçada por órgãos e entidades de classe como o Conselho Federal de Psicologia (Resolução nº 01/1999).
Nesse contexto, a atuação da Fundação São Paulo, por meio de suas mantidas e de iniciativas voltadas à promoção dos direitos humanos, reafirma seu compromisso histórico com a cidadania, o respeito às diferenças e a construção de ambientes acadêmicos e institucionais comprometidos com a cultura da paz.
Inspirada pelos princípios cristãos e pelo compromisso social da educação católica, a Fundasp compreende que acolher não significa eliminar diferenças, mas reconhecer que toda pessoa humana deve ser tratada com dignidade, respeito e proteção contra qualquer forma de violência ou discriminação.
Em tempos de aprofundamento das desigualdades e de naturalização da intolerância, fortalecer uma cultura institucional baseada no diálogo, na escuta e nos direitos humanos torna-se não apenas uma escolha pedagógica, mas uma responsabilidade ética e pastoral.