Centro de Parto Humanizado Santa Dulce dos Pobres celebra três anos
Há três anos, um projeto prioritário da Fundação São Paulo (FUNDASP), mantenedora do Hospital Santa Lucinda (HSL), concretizava-se com o início das atividades do Centro de Parto Humanizado Santa Dulce dos Pobres (CPH). Desde então, o espaço vem consolidando uma proposta de assistência que alia segurança, evidências científicas, respeito às escolhas da mulher e acolhimento às famílias em um dos momentos mais importantes de suas vidas.
Redução das intervenções desnecessárias
Voltado especialmente às gestantes de baixo risco, o CPH foi estruturado para favorecer o desenvolvimento fisiológico do trabalho de parto e reduzir intervenções desnecessárias, sem abrir mão da segurança da mãe e do bebê. A assistência é realizada por equipes capacitadas, com protocolos para identificação de situações de risco e transferência sempre que houver necessidade.
“São três anos de uma conquista que transforma a assistência oferecida às mulheres, aos recém-nascidos e às suas famílias”, afirma a professora-doutora Janie Maria de Almeida, coordenadora acadêmica do Centro de Parto Humanizado. Segundo ela, o serviço representa a consolidação de um modelo de cuidado fundamentado “no respeito, na privacidade, na humanização e na garantia dos direitos da mulher, aliado às melhores evidências científicas”.
Resultados positivos e importantes
Os resultados obtidos desde a implantação ajudam a dimensionar essa trajetória. Um levantamento analisou 2.868 partos normais realizados entre maio de 2023 e abril de 2025 e constatou que, em mais de 96% deles, as mulheres tiveram a presença de um acompanhante; aproximadamente 95% dos recém-nascidos tiveram contato pele a pele imediato com a mãe; e, em cerca de 93% dos casos, o aleitamento materno teve início ainda na primeira hora de vida.
Quase 99% dos recém-nascidos apresentaram índice de Apgar (que avalia rapidamente as condições do bebê logo após o nascimento, como respiração, frequência cardíaca e resposta aos estímulos) entre 7 e 10 no quinto minuto de vida – valor considerado bastante satisfatório. Foram registradas baixas ocorrências de trauma neonatal e de transferências maternas e neonatais. No período estudado, a realização de episiotomia caiu de 5,1% para 3,7%.
Outro avanço está relacionado à valorização da enfermagem obstétrica. Nos dois anos analisados, enfermeiras obstétricas foram responsáveis por em torno de 40% dos partos registrados no CPH, fortalecendo sua participação no acompanhamento do trabalho de parto, do nascimento e do pós-parto imediato.
Respeito à autonomia da gestante
Na prática, a proposta de humanização também se traduz na autonomia oferecida às gestantes. “A mulher participa das decisões e é respeitada em suas escolhas”, destaca Marília Deltreggia Benites de Góes, coordenadora de Enfermagem da Maternidade do HSL. Durante o trabalho de parto, são estimulados recursos não farmacológicos para o alívio da dor, como banho morno, bola de parto, massagens e mudanças de posição. Sempre que as condições clínicas permitem, também são favorecidos o contato pele a pele e o início precoce da amamentação.
Atualmente, o CPH registra uma média de aproximadamente 150 partos por mês. Para Marília, os três anos representam a solidificação de um ambiente planejado para proporcionar uma assistência “humanizada, segura e centrada na mulher”.
Para Janie, a celebração também é uma oportunidade de reconhecer os profissionais que construíram essa trajetória. “Comemorar os três anos do CPN é reconhecer o trabalho de todos os profissionais que contribuíram para essa trajetória e reafirmar o compromisso de continuar aprimorando o cuidado, fortalecendo o protagonismo da mulher e proporcionando às famílias uma experiência de nascimento cada vez mais positiva.”