HSL e Dia da Gestante: cuidado com o parto deve começar antes da internação
No Hospital Santa Lucinda (HSL), o cuidado com as gestantes e seus bebês começa antes mesmo da internação, independentemente de o atendimento oferecido pela instituição ser coberto com recursos do SUS, de convênios médicos ou de forma particular. Essa assistência inclui cursos gratuitos para as futuras mães, a utilização do Centro de Parto Humanizado, atendimento técnico e humanizado prestado pelas equipes assistenciais e de apoio, além da estrutura física e tecnológica do hospital, garantida pela Fundação São Paulo (FUNDASP), mantenedora do hospital.
Desde a década de 1940
Reconhecida como referência na região de Sorocaba, a Maternidade do Hospital Santa Lucinda transforma o Dia da Gestante, celebrado em 15 de agosto, em uma oportunidade para valorizar o trabalho desenvolvido diariamente em benefício das mães e dos bebês. Essa trajetória teve início na década de 1940, quando o empresário José Ermírio de Moraes, que mais tarde se tornaria senador, financiou a construção da Maternidade Santa Lucinda, iniciativa que resultaria na criação da Faculdade de Medicina de Sorocaba, também mantida pela FUNDASP.
Curso para gestantes
A atenção às gestantes começa antes mesmo da internação, com um curso gratuito oferecido mensalmente pelo hospital. Segundo Marília Deltreggia Benites de Góes, coordenadora de Enfermagem da Maternidade do HSL, não é necessário agendamento para participar. “Durante o curso, abordamos as alterações fisiológicas da gestação, a alimentação e os cuidados necessários nesse período. Também explicamos como é realizado o exame de cardiotocografia, o funcionamento do Centro de Parto Humanizado, os diferentes tipos de parto, os métodos não farmacológicos de alívio da dor, as posições que podem ser adotadas durante o trabalho de parto, as formas de indução e a condução do parto normal”, afirma.
A programação inclui ainda orientações sobre o período pós-parto, os cuidados com o recém-nascido, a amamentação e a manobra de desengasgo. Ao final, as participantes e seus acompanhantes visitam o Centro de Parto Humanizado e conhecem de perto a estrutura oferecida pelo hospital.
O Centro de Parto Humanizado
Um dos marcos da trajetória do HSL em relação às gestantes, parturientes e recém-nascidos é a criação do Centro de Parto Humanizado Irmã Dulce dos Pobres, inaugurado em maio de 2023. A estrutura possui seis quartos PPP — ambientes nos quais a mulher pode permanecer durante o pré-parto, o parto e o pós-parto —, alguns deles equipados com banheiras para partos de imersão.
O conceito e prática dos chamados partos humanizados não significa abrir mão da assistência médica ou dos recursos hospitalares. Sempre que necessário, a parturiente tem acesso à infraestrutura cirúrgica e assistencial do Santa Lucinda para o atendimento de possíveis intercorrências. A escolha da forma de condução do parto considera os desejos da mulher, mas, acima de tudo, as condições clínicas dela e do bebê.
As angústias das gestantes
Para a professora-doutora Janie Maria de Almeida, coordenadora acadêmica do Centro de Parto Humanizado do HSL, o trabalho de parto e o nascimento constituem um período marcado por intensas transformações físicas e emocionais. “Por isso, as mulheres que chegam ao hospital geralmente necessitam, antes de tudo, de acolhimento, escuta, respeito, segurança e informações claras sobre o que está acontecendo”, destaca.
Entre as principais angústias das parturientes estão o medo da dor, das intervenções ou de que alguma situação saia do controle e comprometa sua saúde ou, principalmente, a do bebê. “Também é comum que imaginem que o trabalho de parto será muito rápido, sem conhecer plenamente suas diferentes fases e o tempo necessário para sua evolução”, relata Janie.
Para reduzir essas preocupações e proporcionar maior conforto às parturientes, Marília explica que o hospital adota métodos não farmacológicos de alívio da dor, como banho terapêutico e exercícios com bolas de pilates. “Os quartos também dispõem de espaldar, banquetas e ‘cavalinho’, que podem ser utilizados durante o trabalho de parto”, afirma.
A assistência inclui ainda a monitorização dos batimentos cardíacos do bebê e das contrações uterinas, além do acompanhamento contínuo das equipes, que orientam a gestante sobre a evolução do trabalho de parto, o período pós-parto e as condições de saúde da mãe e do bebê. Segundo Marília, essas medidas contribuem para oferecer mais segurança, tranquilidade e confiança à mulher durante todo o atendimento.
Mensagem às futuras mamães
A professora-doutora Janie orienta as gestantes a buscar informações de qualidade sobre as fases do trabalho de parto, seus direitos, as formas de alívio da dor, as possibilidades de assistência e os sinais de alerta. Segundo ela, esse conhecimento ajuda a reduzir o medo e favorece uma participação mais ativa nas decisões.
Sua recomendação é a de conversar com os profissionais responsáveis pelo pré-natal, esclarecer dúvidas, conhecer previamente a maternidade, participar do encontro com gestantes promovido pelo hospital, realizado na primeira terça-feira de cada mês, e, sempre que possível, elaborar um plano de parto. As redes sociais também podem ser úteis, desde que as informações sejam produzidas por profissionais qualificados e fundamentadas em evidências científicas.
Janie ressalta, porém, que o parto nem sempre acontece exatamente como foi planejado, pois necessidades clínicas podem exigir mudanças de conduta. “Isso não significa fracasso. O mais importante é que cada mulher seja acolhida, informada, respeitada e incluída nas decisões, recebendo uma assistência segura e individualizada”, afirma. Para a especialista, preparar-se para o nascimento também significa compreender que não é necessário saber tudo, afinal e acima de tudo, “a gestante tem o direito de perguntar, receber apoio e ser cuidada com dignidade”.