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Abertura da exposição sobre genocídio reforça papel das mulheres como resistência

 

“…Vá em frente, destrua a Armênia. Veja se consegue.
Envie-os para o deserto sem pão nem água. Queime suas casas e igrejas.
Então veja se eles não voltarão a rir, cantar e orar.
Pois quando dois deles se encontrarem em qualquer lugar do mundo,
veja se não criarão uma Nova Armênia”
William Saroyan, em “O Armênio e o Armênio” (1935)

 

Revisitar o passado sob novas perspectivas e garantir o engajamento contínuo para que cesse a barbárie. A abertura da exposição Mulheres e Genocídio: da Perseguição ao Empoderamento, realizada no último dia 29/4, foi marcada pela emoção de descendentes de vítimas do genocídio armênio presentes ao evento e também pela certeza de que a luta contra esta grave violação de direitos humanos segue necessária.

No mês de abril o mundo inteiro rememora diversos genocídios, especialmente o armênio que tem como marco o 24 de abril e vitimou mais de 1,5 milhão de pessoas, em 1915. Com fotografias de arquivos, narrativas pessoais e outros elementos a exposição segue em cartaz no saguão da biblioteca do campus Monte Alegre da PUC-SP, até 26/6. Os documentos relatam o impacto universal do genocídio, destacando o papel de resistência e reconstrução exercido pelas mulheres nos casos da Armênia, de Ruanda e do holocausto (Shoah, em hebraico), buscando ainda contribuir para a prevenção de novos crimes.

Apresentada pela primeira vez no Brasil em Língua Portuguesa, a mostra realizada pela FUNDASP teve a colaboração do International Relations Office (IRO FUNDASP) e ocorre em parceria da doutoranda Nathalia Hovsepian com o  Museu-Instituto do Genocídio Armênio (MIGA) e o Instituto Zoryan, vinculado à Universidade de Toronto-Canadá, de onde ela é egressa, além de parceria com a União Geral Armênia de Beneficiência (UGAB).

Leia a seguir alguns depoimentos sobre a exposição:

Pe. José Rodolpho Perazzolo, Diretor Executivo da FUNDASP
Esta exposição vem ao encontro do estatuto da FUNDASP, que tem a defesa da vida como objetivo em seu artigo primeiro. A mostra de fotografias, textos e histórias nos permite lembrar a dor dos vitimados e também é uma forma de manter nossa voz firme contra o genocídio, crime mais hediondo que se pode perpetrar porque visa uma etnia, uma civilização, um povo. Formamos uma única humanidade e devemos ser fraternos, independente de cor, raça, etnia, idade ou religião.

Armen Yeganian, Embaixador da Armênia no Brasil
Apesar dos inúmeros esforços, o genocídio é um crime que ainda persiste no mundo. No século 21, continuamos a presenciar a intolerância racial e étnica, manifestações de discursos de ódio e novas atrocidades em massa cometidas com base nesse princípio. Agradecemos o apoio da FUNDASP e de todos as entidades envolvidas nesta exposição. A Armênia sente a responsabilidade de permanecer engajada de forma consistente em iniciativas voltadas para o alerta precoce, a identificação, a prevenção e a eliminação desses crimes. (clique aqui e veja o pronunciamento em vídeo, feito pelo embaixador para o evento)

Rebeca Ciorniavei, Gerente do International Relations Office (IRO/FUNDASP) e bisneta de sobreviventes do genocídio armênio
Organizar esta exposição foi um desafio para o IRO e estou muito contente com o resultado que alcançamos, com o protagonismo que pudemos dar às mulheres e sua capacidade de resistência. Como gerente do setor, temos realizado algumas ações com a Armênia, incluindo um convênio acadêmico inédito firmado em fevereiro deste ano. No início de abril, também tive a oportunidade de estar naquele país, em visita institucional à Yerevan State University (YSU). É uma grande emoção poder ver concretizada esta exposição sobre um tema que me afeta profissional e pessoalmente.

Nathália Hovsepian, Mestre e Doutoranda em Direitos Humanos pela PUC-SP e descendente de sobreviventes do genocídio armênio
É um privilégio expor aqui na PUC-SP esse material, que é extremamente valioso porque traz uma perspectiva inovadora dentro da pesquisa sobre o tema: um recorte feminino sobre o genocídio. As mulheres normalmente são marginalizadas neste contexto de violência, invisibilizadas até mesmo quando estão na posição de agressoras. Apresentar esta exposição na PUC-SP, universidade que também tem sua história marcada pela resistência, deixa tudo ainda mais importante e interessante.

Katia Cristina Sarkisian, funcionária da PUC-SP e neta de sobreviventes do genocídio armênio
Estou muito emocionada, como funcionária, mulher e descendente de vítimas desta violência, em ver a exposição na Universidade onde trabalho. Já estive na Armênia, vi fotos como estas lá, mas ver as imagens aqui também me afeta de uma maneira muito especial. Elas me trazem um misto de tristeza e revolta, é algo difícil explicar, mas trazem também a felicidade de ver nossa história retratada, reconhecida.